Hoje em dia é muito comum ouvir falar sobre esse conceito, mas devemos nos perguntar: o que ele realmente significa? O que é afinal desenvolvimento sustentável? É realmente útil para a resolução dos problemas ambientais ou transformou-se em um tipo de slogan das empresas?
O que pretendo fazer é problematizar esse conceito e levantar algumas questões pertinentes que se perdem quando se usa indiscriminadamente essa noção de desenvolvimento sustentável.
O debate sobre questões do meio ambiente ganha visibilidade, efetividade, a partir da década de 70 e o marco desse momento é a Conferência das Nações Unidas sobre o Homem e o Meio Ambiente que aconteceu em Estocolmo, Suécia (1972). As maiores preocupações discutidas nessa conferência foram: contaminação provocada pela industrialização, crescimento populacional, urbanização.
Em 1992 ocorre, no Rio de Janeiro, a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (ECO-92). Resolver os problemas ambientais não é visto como possível sem se levar em consideração a dimensão do desenvolvimento.
E é aí que a coisa fica complicada, o desenvolvimento sustentável deve ser praticado por países ricos, que devem repensar as formas como utilizam os recursos naturais, o consumismo exacerbado, o estilo de vida, pois os problemas ambientais são sintomas direto desse estilo.(Leia mais sobre o assunto). Ele é também o reflexo da desigualdade social, e é ai que entra o outro lado do desenvolvimento sustentável, o qual não é possível sem o desenvolvimento econômico dos países pobres. A probreza está diretamente ligada aos problemas ambientais.
Você pode estar se perguntando o que pobreza e meio ambiente tem a ver com isso, qual é a ligação possível? Bom, são várias.
Em primeiro lugar, enquanto alguns países (muitas vezes a custa dos recursos naturais dos outros), acumularam riquezas, conhecimentos técnicos e de fato se desenvolveram, outros países viviam/vivem em um estado precário. A falta de recurso faz com que usem de suas reservas naturais de forma predatória, destruindo as áreas da agricultura, os recurso hídricos e por fim gerando ainda mais pobreza. A pobreza nos centros urbanos também agrava os problemas ambientais, como exemplo podemos citar: as enchentes, o desmatamento, a construção de casas em áreas impróprias, o assoreamento dos cursos de água devido ao desmatamento, e os rios que são usados para depósitos de lixo e esgoto.
Esses problemas geram outros como a alta taxa de mortalidade infantil devido a falta de água limpa, segundo a UNICEF, a diarreia mata 1,5 milhão de crianças por ano. Fonte
É impossível implementar o desenvolvimento sustentável quando alguns países e em alguns casos, algumas classes sociais, abusam dos recursos naturais (No estado da Califórnia nos Estados Unidos, o consumo de água é em média de 800 litros/dia/pessoa. Leia mais sobre) e enquanto a diminuição e futuramente a erradicação da pobreza não for também uma das principais pautas desse discurso.
O desenvolvimento sustentável só poderá ser realmente uma proposta válida se de fato abarcar esses dois lados da moeda. Além disso, a sustentabilidade deve ser aplicada nas mais diversas dimensões, como cultural, social, ambiental e etc.
Há muitas coisas que eu gostaria de falar sobre o desenvolvimento sustentável, mostrarei nos próximos posts como ele não tem sido aplicado como deveria, como é necessário possuir uma visão crítica sobre esse discurso e por fim quero mostrar como ele ainda pode ser válido se aplicado nas mais diversas esferas da sociedade e não só na econômica.
Para que assim essa ideia não “[...] represente apenas um enverdecimento do estilo atual, cujo conteúdo se esgotaria no nível da retórica [...]” (GUIMARÃES, p. 16, 2002)
Referência Bibliográfica:
NOBRE Marcos; AMAZONAS, Mauricio de Carvalho (org). Desenvolvimento sustentável: a institucionalização de um conceito. Imprenta Brasília, DF : IBAMA, 2002.
Amanda Teixeira Pinto