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Desigualdade Social no Brasil

Desigualdade Social: Quão fundo é o buraco?

Desigual: não igual, diferente, diverso, irregular, não uniforme, inconstante, descontínuo.

O planeta Terra é bastante não igual em vários aspectos. Fisicamente a Terra é muito diferente: o relevo, o clima, a fauna, a flora (ed etc ad infinitum) são bastante diversos entre si ao redor do globo. Além disso, os recursos naturais não estão todos concentrados em uma única região.

Os recursos estão espalhados irregularmente, distribuídos, sabiamente alocados pela natureza não uniformemente em diferentes locais. Essa descontinuidade promove a diversidade, a biodiversidade, a possibilidade de sobrevivência às diversas espécies. O resultado da “desigualdade” no planeta é justamente o de promover iguais chances a todos.

O mesmo acontece nas sociedades humanas. Somos desiguais, diferentes. Somos diversos em vários aspectos: étnicos, culturais, religiosos, sociais. E é justamente este último que gostaria de abordar.

A desigualdade social é única. Enquanto as outras “desigualdades” no planeta vão no sentido de distribuir os recursos, a desigualdade social vai no sentido de concentrar recursos. Porquê? Estamos em total desacordo com a natureza.

Aparentemente eu não teria porque me preocupar ou reclamar. Tenho acesso à água potável, portanto estou no “topo da cadeia humana” em relação a 45 milhões de brasileiros e a 1 bilhão de pessoas no mundo. Tenho acesso à rede de saneamento básico, logo me situo “acima” de cerca 2,5 bilhões das 7 bilhões de pessoas espalhadas por ai.

A renda em minha família é alta para os padrões nacionais. Tive acesso às melhores escolas e universidades no Brasil e na Europa.

Conclusão: sou rico!

Você agora até poderia estar pensando: milionário!

Porém, se viesse me visitar aqui em casa perceberia (e eu quero destacar bem o verbo perceber) uma casa de classe média. Talvez até classe média alta. Mas a sua percepção é distorcida (leia o artigo em anexo no final: Distribuição de Renda no Brasil: um Ensaio sobre a Desigualdade Desconhecida).

E este é o problema da desigualdade social, a nossa percepção.

Quero fazer você entender que eu sou “rico”, não na concepção romântica do magnata que limpa a bunda com dinheiro, mas em relação ao resto do Brasil e do mundo.

Ah essa tal relatividade! Provavelmente você também é rico, apesar de não saber.

Vamos aos fatos e números que são tão manipulados e escondidos de nós brasileiros.

Tudo o que eu lhe mostrarei a seguir pode ser encontrado no relatório do IBGE: PNAD 2008 – Pesquisa Nacional por Amostras de Domicilio 2008 (também em anexo no final).

A tabela 7.2.3 da pag. 174 do PNAD 2008 nos indica (última coluna) que em 2008 os 10% mais ricos da população detinham 42,7% do rendimento mensal de todos os trabalhos das pessoas de 10 anos ou mais, ocupadas, desse nosso Brasil.

A seguir eu coloco o gráfico da distribuição da renda no Brasil e o cálculo do índice de Gini, feitos por mim com base no PNAD 2008. Reparem como a curva real é distorcida em relação à ideal.


Gráfico da concentraçao de renda no Brasil e índice de Gini. (Clique para aumentar)

http://pt.wikipedia.org/wiki/Coeficiente_de_Gini.

Este índice, que varia de 0 a 1, tenta estimar o grau de desigualdade social em uma população. Um valor igual a 0 corresponderia a uma sociedade totalmente igual e um valor igual a 1 corresponde a uma sociedade totalmente desigual. O nosso índice de Gini, de 0.52,  é um dos mais altos no mundo!!!

No Brasil, um décimo das pessoas detém quase metade de toda a renda. Isso não é bom, não pode ser bom, certo? Mas o que significa?

Vamos a um exemplo numérico hipotético.

Imaginemos que a renda de um país fosse digamos 100 reais mensais e o país tivesse 100 habitantes. Isso quer dizer que nessa sociedade 10 pessoas teriam juntas 43 reais ou uma média de 4,3 reais per capita (por pessoa). O restante das 90 pessoas, teriam juntas 57 reais. Porém somente 63 centavos de real per capita.

O exercício parece bobo nessa escala, mas quando consideramos a economia brasileira (entre as 10 maiores do planeta) e o número de habitantes, a realidade é bem mais dolorosa.

A realidade

O rendimento mensal real dos brasileiros ocupados e maiores de 10 anos (tabela 7.2.4) é de R$ 1.261.

Mas a média é uma ferramenta vil, coisa cruel, enganosa, porque esconde a diversidade, a desigualdade.

Ainda lendo a tabela 7.2.4 vê-se que os 10% mais pobres tem salários de em média R$ 174.

CENTO E SETENTA E QUATRO REAIS? Isso porque o salário mínimo é de R$ 465.

Na faixa entre os 10% e 20% mais pobres o rendimento mensal é de horríveis R$ 379, e até as escalas superiores a coisa não muda muito de figura. Na faixa entre os 60% e os 70% da população o rendimento é de somente R$ 869 mensais.

A nossa PEA (população economicamente ativa) é de cerca 92 milhões de pessoas (tabela 7.2.1). Então isso significa que quase 65 milhões de brasileiros assalariados recebem menos de R$ 900 por mês. SETE trabalhadores em cada DEZ recebem menos de R$ 900 por mês.

Não por menos o número de favelados no Brasil continua a crescer. Em São Paulo são cerca de 1,3 milhão de pessoas vivendo em favelas. Como pagar um aluguel de R$ 500, 600 se a sua renda é de R$ 900?

link: SP tem menos favela e mais favelado.

 

A concentração é tão absurda que os rendimentos médios mensais dos 80% a 90% dos brasileiros mais RICOS é de R$ 1.903.

Parece pouco ainda pra uma classe média, não? Mas se você ganha R$ 2.000 por mês é mais rico que NOVE em cada DEZ brasileiros.

Entre a parcela 10% mais rica da população esse valor salta para R$ 5.901! Um salto de R$ 1.903 para R$ 5.901 entre as duas últimas faixas.

Mesmo sendo valores estratificados, em média, por faixas, o salto em valor bruto é extremamente grande.

Somente 10% da população tem rendimentos superiores à R$ 5 mil. E a concentração nesses últimos 10% é também de tal modo elevada que entre os 5% mais ricos os salários passam a R$ 8.494 e no estrato 1% mais rico os rendimentos médios são de R$ 16.876.

Esses 1% detém 12,3% de toda a renda enquanto os 10% mais pobres detém apenas 1,2%. Isso não pode ser bom. Isto não é bom. Explica uma série de fenômenos sociais que vemos pelo Brasil a fora.

E mesmo assim os que são ricos falham em reconhecerem-se ricos. Olham somente para “cima” (sempre existirá alguém com mais dinheiro) querendo ser sempre mais ricos (leia no fim o artigo sobre a percepção da distribuição de riqueza no Brasil!).

Depois reclamam das conseqüências. Não querem encarar o reflexo das próprias ações no impulso descontrolado de acumular riqueza.

Reflexo da falta de acesso à água, saneamento, educação, saúde, transporte publico, melhores políticas de impostos e distribuição de renda. Reflexo da violência e da insegurança que aflige as nossas cidades.

Mas ainda  assim não querem promover a distribuição de renda. Dizem que o acúmulo é fruto de seus próprios méritos, sem a ajuda dos governos. O que não é verdade.

Nos EUA, o tataraneto do Johnson, aquele da empresa Johnson&Johnson fez um documentário intitulado “The one percent”, i.e., Um por cento. Ele mostra que nos EUA 1% de toda a população detém 40% de toda a riqueza. (No filme ele fala de riqueza, não de renda).

Aqui segue o link para a primeira dos oito partes, com áudio em inglês:

http://www.youtube.com/watch?v=dK8-nr-of30&feature=PlayList&p=285B3DB79385AEE2&index=0&playnext=1

No filme, assim como fiz nesse post, ele somente levanta questões. A intenção é informar. Quase como o trabalho do filósofo, formular questões.

As respostas eu espero que me venham com o tempo. Apesar de cada vez mais eu acreditar que a única forma é tomarmos de volta os nossos governos, onde quer que seja.

Índices de Gini ao redor do mundo.

Deixem comentários no site. Se encontrarem alguma incongruência no que escrevi ficarei mais do que contente em discutir e melhorar as informações que aqui constam.

Leiam o artigo em anexo. Divulguem o blog!

Um abraço.

Rodrigo Teixeira Pinto.

Eles não se renderão jamais (mas lhes convém?), nós também não!

p.s: a coisa està feia na Europa também, por la’ são agora 22 milhões os desempregados.

http://tv1.rtp.pt/noticias/index.php?t=Uniao-Europeia-com-mais-de-22-milhoes-de-desempregados.rtp&article=291216&visual=3&layout=10&tm=6

Suicídio Social

Este é o primeiro texto que escrevo para este blog, aliás, nunca mantive um, nunca tive muita vontade. Mas este site surgiu de uma idéia em conjunto e tem propósitos que me atraíram e me motivaram a escrever (mesmo que o tempo para isso seja escasso). Os propósitos já estão genericamente dispostos no pequeno texto de abertura do site, e com o tempo nós vamos criando nosso ethos através de nossos discursos manifestados aqui.

Este blog tem o objetivo de denunciar, alertar e trazer soluções relacionadas a tudo o que vem acontecendo no nosso planeta no que diz respeito à ação humana. O modo como o homem vem agindo tem relação direta com as diversas catástrofes climáticas de que se tem notícia ultimamente, com o aquecimento global e com o desequilíbrio ambiental. Isso tudo é evidenciado pelo trabalho de cientistas que estudam o assunto. Não tenho conhecimento científico profundo sobre esse tema, mas procuro sempre buscar materiais que aumentem meu saber nessa área.

Em minha opinião a raiz dos problemas ambientais encontra-se nos modos de produção capitalista, o qual influencia, obviamente, o pensamento humano. O sistema econômico capitalista é baseado na exploração do trabalho e no lucro (grosseiramente falando). Sendo assim, empresas, governo, sociedade civil e todas as demais instituições caminham nesse sentido, explorar e obter lucro.

Desde a Revolução Industrial até recentemente nunca houve uma conscientização (ampla) em relação aos impactos que trariam os modos de produção industrial. Hoje em dia é que o discurso ambientalista tem mais destaque, e ainda assim não alcança todas as esferas da sociedade.

Os problemas ambientais são a prova de que o capitalismo é um sistema falho e autodestrutivo. É certo que os problemas e catástrofes do meio ambiente sempre acompanharam a história das civilizações, porém nunca o perigo foi tão abrangente como no momento presente. O capitalismo transformou as relações humanas nos seus mais diversos aspectos. A relação do homem com a natureza, dentro do contexto capitalista, é uma relação de mercado, uma questão de quanto se pode produzir e lucrar utilizando recursos naturais. Isso, logicamente, altera a natureza drasticamente, pois o homem interfere no ecossistema de forma predatória, esquecendo que ele mesmo é parte desse ecossistema. Esse fato se deve ao pensamento econômico, pois a economia é abastecida com o consumo, para haver consumo é preciso da produção, e a produção depende de recursos (muitas vezes) naturais.

Como então uma empresa de petróleo, por exemplo, pode sobreviver sem afetar o ecossistema, dentro essa lógica de mercado? É impossível. Este sistema não permite essa flexibilidade, uma vez que a concorrência é parte fundamental dele. Existem empresas que fazem campanhas pró-reciclagem, apóiam o reflorestamento, conscientizam a população em vários aspectos. Porém, isso tudo vai por água abaixo quando o que está em jogo é a disputa mercadológica. Mesmo em países como a China, que tem o rótulo de comunista (mas é mais capitalista que os EUA), a realidade é essa.

Por essa razão, penso eu que o passo mais importante para uma mudança efetiva nas relações do homem com a natureza é a mudança modelo econômico. Não que a revolução sangrenta seja a solução para todos os problemas, mas é preciso que haja uma conscientização para repensar as relações do homem com a natureza. Repensar o seu lugar como ator social com potencial de mudança, pois esse modelo já se mostrou ineficiente.

Sei que esse texto não cita dados, é bastante subjetivo, genérico e até parcial. Mas a intenção aqui foi expor, de forma geral, o que penso, e a partir daí iniciar uma discussão nessa linha; ainda que somente eu mesmo venha a escrever nessa direção, pois já dizia Bakhtin que o dialogismo é um processo inerente a qualquer forma de comunicação.

 

César A. Melão

Até cerca de uns 10 mil anos atrás nossa espécie ainda era bastante limitada. Não sabíamos ainda direito o que fazer com os recursos que o planeta nos tinha para oferecer. A única coisa que sabíamos fazer era caçar e colher, mudando continuamente de território para sobreviver.

Então descobrimos como cultivar a terra, inventamos (ou descobrimos?) a agricultura. O resultado disso foi extraordinário.

Finalmente pudemos nos estabelecer em um território fixo e sobreviver sem precisar mais percorrer enormes distâncias por comida. Como isso foi possível? Com água. Nos estabelecemos perto de rios e litorais e isso ainda não mudou. Das 15 maiores cidades do planeta, 11 são próximas de rios, mares ou oceanos.

A vida no planeta terra começou na água e evoluiu para as formas terrestres. Sem água não pode existir a vida como a conhecemos. E ainda assim, cerca de 1 BILHÃO de pessoas não tem acesso à água doce limpa, potável. De cada 6 pessoas no mundo, 1 não tem acesso à água.

http://www.water.cc/water-crisis/

A Unicef calcula que 2,6 BILHÕES de pessoas não tem acesso à serviços de saneamento básico. Ou seja, aproximadamente, de cada 2 pessoas, uma não tem direito onde cagar, i.e. vivem na merda literalmente. No Brasil a coisa não é muito melhor, sendo, talvez, até pior! Sim, pior!

No último final de semana no Parque do Ibirapuera realizou-se o evento Segunda Sem Carne. Eu não sou vegetariano, nem pretendo tornar-me. Mas nao podemos negar que a agropecuária é uma atividade que utiliza água de maneira abundante. No nosso querido e maravilhoso país, 45% de toda a água é utilizada na agropecuária! E, abismem-se, 45 milhões de brasileiros não tem acesso à água potável. Tudo bem, até pouco eu também não sabia.

No mundo tínhamos uma relação de 1 pessoa a cada 6 sem acesso à água, pois no Brasil, considerando que temos cerca de 200 milhões de habitantes, por aqui temos cerca de 1 candango sem acesso à água em cada 4 pessoas.

Mas ok, não temos motivo para preocupar-nos, afinal vivemos nos grandes centros urbanos, logo nunca nos vai faltar água, certo? Errado. Apesar de 96% dos brasileiros vivendo nos grandes centros urbanos terem acesso à água, algumas grandes cidades já começaram a sofrer efeitos de falta de abastecimento. Um exemplo é São Luís, no Maranhão:

O governo do Maranhão anunciou na manhã desta sexta-feira que decretou, por 90 dias, estado de calamidade pública no sistema de água em São Luís, em razão do colapso no sistema de abastecimento da capital. Na semana passada, o rompimento de uma adutora deixou moradores da cidade sem água de domingo (13) a quarta (16).

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u629223.shtml

Além disso as distâncias que a água faz para chegar aos grandes centros urbanos é cada vez maior. É extremamente importante sabermos de onde vem a água que consumimos. Em São Paulo o abastecimento dá-se por 3 grandes sistemas produtores: Cantareira, Guarapiranga e Alto Tietê. Se pegarmos o sistema Alto Tietê como exemplo, temos:

Os resevatórios Ponte Nova, Paraitinga, Biritiba Mirim, Jundiaí e Taiaçupeba formam o Sistema Produtor Alto Tietê (SPAT), que constitui um sistema em cascata no qual os reservatórios são interligados através de sistemas de túneis e canais, com a finalidade de aumentar a captação de água para abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP).

Fonte: http://www.mananciais.org.br/site/mananciais_rmsp/altotiete

Blá blá blás a parte, temos as seguintes distâncias até São Paulo: Biritiba Mirim 83 km, Jundiaí 59 km, Ponte Nova 129 km, São Luiz do Paraitinga 190 km, Taiaçupeba 91 km. Toda essa distância percorrida pela água cria 2 principais problemas. Um deles é a perda do sistema. Ou seja, a água que se perde ao longo do caminho para chegar até a cidade mais rica da América Latina, São Paulo.

Seria um chute razoável para esta perda alguma coisa ao redor de 10%? Ou seja, a cada 10 litros de água que vamos buscar na “conchinchina” perdemos 1 litro. Razoável, afinal, precisamos de água!

Pena 10% não ser o valor correto. Ok, então 20%, tudo bem, são apenas 2 litros desperdiçados. Razoável, afinal, precisamos de água!

De novo, errado. 30%? Infelizmente, não!

As estimativas sobre as perdas ultrapassam a marca dos 40%. Ou seja, daqueles 10 litros iniciais, pelo menos 4 litros vão escapar durante a via crúcis da água até a Ipiranga com a Av. São João.

O outro problema? Agora fica mais fácil entender porque algumas pessoas não têm acesso à água!

Porque a água também é um recurso mal distribuido e concentrado. Recurso diretamente relacionado à distribuição da riqueza (veja a foto acima, ter acesso à água não é suficiente para estar no topo da cadeia, mas é necessário, é o primeiro degrau, faltariam ainda saneamento, saúde, educação, etc…).

Todas essas informações eu recolhi por cerca 6 meses antes de finalmente resolver dar vida a este post. Após essa fase inicial comecei a pensar sobre as minhas próprias ações e quanta água consumo e quanta deveria consumir para satisfazer todas as minhas necessidades de uma maneira sustentável e decente.

Agora é o momento para justificar o título! Você tem idéia de quanta água consume? Melhor ainda, tem idéia de quanta deveria consumir?

Um artigo muito interessante do Instituto do Pacífico para estudos de Desenvolvimento, Meio Ambiente e Segurança tenta dar um número para a quantidade de água diária necessária para se ter uma vida digna, mas sem desperdício. O artigo é muito bom e eu recomendo fortemente a leitura (em inglês). Mas os principais resultados são:

Consumo pessoal (água para beber): 3-5 litros/dia/pessoa

Serviços sanitários: 20-50  litros/dia/pessoa

Banho: 15-25  litros/dia/pessoa

Preparação de alimentos: 10-20  litros/dia/pessoa

Segundo o estudo, todo ser humano deveria utilizar no mínimo 50 litros de água por dia para ter uma qualidade de vida de acordo com os padrões modernos até um máximo de 100 litros/pessoa/dia para fazer um uso consciente e sustentável dos recursos hídricos.

E aí José, quanta água você consome por dia? Não sabe? É fácil.

Pegue a sua conta de água. Existe uma seção no alto, bem no começo, chamada Consumo (m3), logo após a primeira seção chamada Leitura.

Ali você encontra um numerozinho mágico. Atual: 15.

Significa que a sua residência no mês sendo cobrado consumiu, no nosso exemplo, 15 m³ de água. Passar isso para litros por dia por pessoa agora é moleza.

Multiplique o número por 1000 (1 m³ representa 1000 litros). Pegue o resultado e divida pelo número de dias do mês. Divida o novo o resultado pelo número de pessoas que vivem sob o mesmo teto aí na sua casa e voilà!

Exemplo do último mês de Setembro aqui em casa. Atual: 16.

1) 16 m³ x 1000 = 16.000 litros.

2) 16.000 litros / 30 dias = 533 litros/dia.

3) 533 litros/dia / 6 pessoas = 89  litros/dia/pessoa

Aqui em casa nós sabemos quantos litros de água consumimos por pessoa por dia e tentamos nos manter sempre abaixo da quota dos 100 litros diários cada um.

Segundo a prefeitura de São Paulo, a média diária captada para suprir a capital é superior a 350 litros/pessoa/dia. Esse número é três vezes e meio maior do que o necessário para uma vida normal. E lembrem-se que deste valor ainda jogamos fora 40%.

No estado da Califórnia nos Estados Unidos, esse número chega a uma inacreditável e surreal média de 800 litros/dia/pessoa. Em Sacramento, também na Califórnia, esse número é de 280 galões americanos por dia, ou seja, a monstruosidade de cerca 1060 litros de água por dia por habitante!

Eu fico imaginando o tamanho dos aquários e jardins dessa gente que mora em Sacramento. Devem criar baleias azuis e sequóias em casa!

http://www.sacbee.com/news/story/1673258.html

Em anexo ao post vou compartilhar a planilha (para MS Excel) que fiz para acompanhar o consumo de água aqui de casa. No final do post, em“Attachment“, tem o link para o arquivo Consumo per capita de Agua.xls.

Quem quiser utilizar, fique a vontade, quem tiver dúvidas pode me contatar em rodrigo.t.p@gmail.com.

Postem aí nos comentários o consumo de água de vocês!

O próximo post será sobre medidas para evitar o desperdício. Mas a partir de agora já fica expressamente proibido o uso da vassoura hidráulica!

Hoje em dia é muito comum ouvir falar sobre esse conceito, mas devemos nos perguntar: o que ele realmente significa? O que é afinal desenvolvimento sustentável? É realmente útil para a resolução dos problemas ambientais ou transformou-se em um tipo de slogan das empresas?

O que pretendo fazer é problematizar esse conceito e levantar algumas questões pertinentes que se perdem quando se usa indiscriminadamente essa noção de desenvolvimento sustentável.

O  debate sobre questões do meio ambiente ganha visibilidade, efetividade, a partir da década de 70 e o marco desse momento é a Conferência das Nações Unidas sobre o Homem e o Meio Ambiente que aconteceu em Estocolmo, Suécia (1972). As maiores preocupações discutidas nessa conferência foram: contaminação provocada pela industrialização, crescimento populacional, urbanização.

Em 1992 ocorre, no Rio de Janeiro, a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (ECO-92). Resolver os problemas ambientais não é visto como possível sem se levar em consideração a dimensão do desenvolvimento.

E é aí que a coisa fica complicada, o desenvolvimento sustentável deve ser praticado por países ricos, que devem repensar as formas como utilizam os recursos naturais, o consumismo exacerbado, o estilo de vida, pois os problemas ambientais são sintomas direto desse estilo.(Leia mais sobre o assunto). Ele é também o reflexo da desigualdade social, e é ai que entra o outro lado do desenvolvimento sustentável, o qual não é possível sem o desenvolvimento econômico dos países pobres. A probreza está diretamente ligada aos problemas ambientais.

Você pode estar se perguntando o que pobreza e meio ambiente tem a ver com isso, qual é a ligação possível? Bom, são várias.

Em primeiro lugar, enquanto alguns países (muitas vezes a custa dos recursos naturais dos outros), acumularam riquezas, conhecimentos técnicos e de fato se desenvolveram,  outros países viviam/vivem em um estado precário. A falta de recurso faz com que usem de suas reservas naturais de forma predatória, destruindo as áreas da agricultura, os recurso hídricos e por fim gerando ainda mais pobreza.  A pobreza nos centros urbanos também agrava os problemas ambientais, como exemplo podemos citar: as enchentes, o desmatamento, a construção de casas em áreas impróprias, o assoreamento dos cursos de água devido ao desmatamento, e os rios que são usados para depósitos de lixo e esgoto.

Esses problemas geram outros como a alta taxa de mortalidade infantil devido a falta de água limpa, segundo a UNICEF, a diarreia mata 1,5 milhão de crianças por ano. Fonte

É impossível implementar o desenvolvimento sustentável quando alguns países e em alguns casos, algumas classes sociais, abusam dos recursos naturais (No estado da Califórnia nos Estados Unidos, o consumo de água é em média de 800 litros/dia/pessoa. Leia mais sobre) e enquanto a diminuição e futuramente a erradicação da pobreza não for também uma das principais pautas desse discurso.

O desenvolvimento sustentável só poderá ser realmente uma proposta válida se de fato abarcar esses dois lados da moeda. Além disso, a sustentabilidade deve ser aplicada nas mais diversas dimensões, como cultural, social, ambiental e etc.

Há muitas coisas que eu gostaria de falar sobre o desenvolvimento sustentável, mostrarei nos próximos posts como ele não tem sido aplicado como deveria, como é necessário possuir uma visão crítica sobre esse discurso e por fim quero mostrar como ele ainda pode ser válido se aplicado nas mais diversas esferas da sociedade e não só na econômica.

Para que assim essa ideia não “[...] represente apenas um enverdecimento do estilo atual, cujo conteúdo se esgotaria no nível da retórica [...]” (GUIMARÃES, p. 16, 2002)

Referência Bibliográfica:

NOBRE Marcos; AMAZONAS, Mauricio de Carvalho (org). Desenvolvimento sustentável: a institucionalização de um conceito. Imprenta  Brasília, DF : IBAMA, 2002.

Amanda Teixeira Pinto

Esse documentário teve sua pré-estréia no Brasil no dia 22/09/2009, no dia mundial sem carro (e diga-se de passagem, não mudou nada na realidade do paulistano).
http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2009/09/22/mesmo+no+dia+mundial+sem+carro+transito+nao+melhora+em+sao+paulo+8582975.html

O evento de lançamento mundial aconteceu em um cinema movido à energia solar, em NY. Fato que achei muito interessante! Com relação ao filme propriamente dito, ahn sim…sei que não sou crítica de cinema, mas isso não me impede de dar o meu parecer!

Enfim, o filme é metade ficção, metade documentário. Na parte ficção, o filme mostra como seria a vida em 2055 com vários dos diagnósticos climáticos que temos hoje consumados. E uma das coisas que mais achei interessante no filme foi a tristeza com a qual o arquivista narra os fatos. A ideia de que tínhamos dois caminhos a seguir, agir ou ignorar, fica bem marcado no filme, e é a grande fonte de ressentimento do arquivista: a nossa escolha, CONSCIENTE, de não agir. 

“Why didn’t we stop climate change when we had the chance?”

A parte documentário é muito boa também, conta seis histórias reais e independentes, as quais abordam destruição em vários lugares mundo. Não quero estragar o filme contando tudo para vocês, aconselho assistirem! É daqueles filmes que desanimam um pouco, mas não estamos em 2055, ainda há tempo para mudanças!

Veja e pense nisso!

Para quem quiser comprar: http://www.ageofstupid.net/ 

Para quem quiser baixar: http://www.torrentreactor.net/find/the-age-of-stupid

No outro post eu busquei explicar como o desenvolvimento sustentável não será viável se não houver uma conscientização dos países ricos para diminuir o consumo exacerbado, o abuso dos recursos naturais, e por outro lado, não é possível sem o desenvolvimento econômico e social dos países pobres, que vão continuar a usar de seus recursos de forma prejudicial para a natureza, afinal, não há alternativas.

 Neste post pretendo expor outros problemas do discurso do desenvolvimento sustentável.

Como já dito, ele ganhou visibilidade na ECO-92. Este é também um momento em que os centros de poder mundial declaram a falência do Estado como motor do desenvolvimento, da regulação e do planejamento. Ok… E agora quem poderá nos defender?  O Chapolin Colorado… ops, quer dizer.. O MERCADO.

 Mas é extremamente contraditório o desenvolvimento sustentável ser aplicado pelo Mercado.

Por quê? Bom, em primeiro lugar é preciso finalmente definir o que é desenvolvimento sustentável, que é a “[...] manutenção do estoque de recursos e da qualidade ambiental para a satisfação das necessidades básicas das gerações atuais e futuras [...]” (GUIMARÃES, p.22, 2002)

Logo, o que precisamos é de um mercado regulado, não um mercado que regula.

Ações que de fato modifiquem os modos atuais de produção, de utilização dos recursos, são ações que devem ser implementadas pelo governo a longo prazo. É preciso um constante e forte investimento em alternativas sustentáveis, tanto para criação de novas formas como para implementação e expansão de métodos já desenvolvidos.

E por que o mercado não é capaz de realizar essa árdua tarefa? Porque “longo prazo” e “gerações futuras” fogem do repertório do mercado, que busca resultado imediato.

Por exemplo, é fato que, a curto prazo, é mais barato usar carvão para se obter energia do que investir em usinas eólicas.

Isso dentro da lógica de mercado, de grana mesmo…

Mas na lógica do desenvolvimento sustentável, devemos gastar mais dinheiro, pois a longo prazo,  bom… precisamos de um lugar para viver, deixar recursos também para as próximas gerações… 

Foge da ação do mercado a manutenção do equilíbrio climático, da camada de ozônio, da biodiversidade e da recuperação do ecossistema.

Para uma empresa automobilística, sustentável pode significar desenvolver carros mais econômicos, menos poluentes. Por outro lado, para a sociedade pode ser melhor que aja investimento em transporte público de qualidade.

Não que um exclua o outro… porém não vemos esforços para que toda sociedade se beneficie. Afinal, o que dá mais lucro imediato?

Além disso, é de se questionar que o Banco Mundial – responsável desde a ECO-92 por financiar projetos sustentáveis – concedeu 2 milhões de dólares para projetos que visem a redução de COna China e, para construção de centrais geradoras de energia elétrica a partir do carvão, concedeu a pequena soma de 310 milhões de dólares.

É importante assumirmos um compromisso pessoal e também cobrar de nossos governos uma postura real frente a essas questões. Avaliarmos que esse discurso ideológico do desenvolvimento sustentável não passa de uma maneira para desviar nossa atenção dos problemas ambientais. Precisamos entender todas as dimensões do desenvolvimento sustentável, e são várias.

Já mostrei que ele não é possível se não for pensado tanto para os ricos quanto para os pobres e também que o mercado não é capaz de implementá-lo de fato.

No próximo post pretendo expor como ele deve ser aplicado às diversas esferas da vida social e não só à econômica para não cairmos no erro de uma visão reducionista.  

Amanda Teixeira Pinto

 

NOBRE Marcos; AMAZONAS, Mauricio de Carvalho (org). Desenvolvimento sustentável: a institucionalização de um conceito. Imprenta  Brasília, DF : IBAMA, 2002.